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Líder camaleão: o que se pede a um líder

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Daniel Goleman, psicólogo consagrado da Universidade de Harvard, no seu livro “Leadership that gets results”, definiu a existência de 6 estilos de liderança – autoritário, visionário, afiliativo, democrático, pacesetting e coaching – cada um deles com as suas especificidades. Qual destes estilos o mais eficaz para o líder? É o que veremos ao longo do artigo, mas antes importa identificar as principais caraterísticas de cada um dos estilos.

Autoritário

Este estilo conseguimos associá-lo rapidamente ao que vemos praticado por militares, em que a palavra do líder se transforma automaticamente numa ordem exigindo um rápido cumprimento sem a possibilidade de ser colocada em causa. A frase que mais vezes escutamos é “faz aquilo que digo!”, em que o liderado apenas tem a indicação clara do que deve fazer.
Recordo um gestor que, contra todas as expectativas, decidiu promover um colaborador com potencial duvidoso, deixando de lado um mais experiente, justificando: “quem manda sou eu e eu é que sei o que é melhor para a equipa.” A verdade é que esse colaborador acabou por revelar um enorme potencial e hoje é um profissional de referência. O mesmo líder, noutro momento, proibiu uma ação específica numa reunião estratégica. Um dos elementos da equipa acabou por fazê-la, e mesmo que o resultado tenha sido positivo, foi imediatamente afastado do projeto.

Visionário

Neste estilo, o líder imana energia e entusiasmo, explicando às pessoas de que forma o trabalho delas contribui para os resultados da organização, não apenas a curto prazo, mas principalmente numa visão mais longínqua. Estes são aqueles líderes que dão o primeiro passo, repetindo consecutivamente a ideia: “venham comigo”.
Um dos líderes que mais me influenciou tinha uma enorme capacidade de antecipar o futuro. Em vários momentos destacava que o setor estaria diferente daqui a dez anos e focava-se em preparar a equipa para essas mudanças. Também costumava dizer que, dentro de cinco anos, metade dos cargos de gestão seriam ocupados por pessoas formadas internamente, garantindo o empenho e compromisso total de todos. Anos mais tarde, já noutra empresa, tive um líder com este estilo predominante. O objetivo era alcançar uma meta ambiciosa em três anos, mas tanto a direção como os acionistas queriam resultados imediatos. Nem um nem outro foram satisfeitos, e o líder acabou afastado.

Afiliativo

“As pessoas estão sempre em primeiro lugar” é o mote deste estilo de liderança. O fator mais importante é a harmonia entre os membros da equipa, e por isso o foco está nas emoções que as decisões do líder provocam.
Lembro-me de um responsável que, durante uma fase exigente de trabalho, garantiu as melhores condições para a equipa: espaço confortável, horários flexíveis e pausas sempre que necessário. Adorávamos o líder e sentíamos que “ele também nos adorava”. Resultado: excelente relação interpessoal, mas no final, a equipa ficou bem aquém do seu potencial.

Democrático

No estilo democrático, as opiniões de todos os elementos da equipa são valorizadas, já que é pretendido um consenso coletivo. Perante a sua equipa, escutamos o líder a perguntar “o que pensam sobre este assunto?”, promovendo assim a participação de todos.
Num dos projetos em que trabalhei, o líder reunia frequentemente os colaboradores mais experientes para discutir decisões estratégicas. Todos reconhecíamos humildade e respeito pela nossa experiência. Contudo, noutro contexto, um líder com a mesma abordagem acabou por transformar cada reunião numa interminável discussão, reduzindo o tempo efetivo de execução.

Pacesetting

O estilo pacesetting é aquele que coloca elevados objetivos e metas, mostrando a todos como se faz, tendo por base a ideia “acompanha o meu ritmo”. O mais importante é chegar ao objetivo, e quanto mais depressa, melhor.
Tive um líder que era o primeiro a chegar e o último a sair. Trabalhando ao seu ritmo, a equipa conseguiu resultados históricos. Noutro contexto, um gestor com o mesmo perfil acabou por falhar: era tão focado no seu desempenho que se esquecia de acompanhar os outros, gerando frustração e cansaço coletivo.

Coaching

Para Goleman, o coaching permite que o liderado tenha uma capacidade maior de análise e de autocrítica, assim como permite que exista uma maior flexibilidade no cumprimento dos objetivos. Neste estilo, o líder expressa em vários momentos “tenta fazer assim”. O seu objetivo é o de desenvolver pessoas a longo prazo, potenciando as caraterísticas individuais de cada um.
No período em que mais aprendi, tinha um líder que colocava o seu foco total no meu desenvolvimento e acompanhava cada passo, dando feedback constante. Permitindo erros e aprendizagem, ajudou-me a evoluir rapidamente. No entanto, para o resto da equipa, o foco a longo prazo nem sempre era claro, e os objetivos imediatos acabaram comprometidos.

A resposta sobre qual o melhor estilo de liderança dependerá obviamente do contexto que a equipa atravessa. Cada estilo poderá ter mais ou menos eficácia, e é o contexto que define o tipo de liderança a exercer.
O líder autoritário é excelente para momentos de crise, quando é essencial centralizar decisões. Já o estilo visionário é ótimo quando existe necessidade de mudança e reestruturação a longo prazo. O estilo afiliativo é fantástico para motivar pessoas em momentos de grande stress ou para cicatrizar problemas internos. Um líder democrático é ideal para cimentar relações longas baseadas em confiança e transparência. Por sua vez, o estilo pacesetting é o ideal quando queremos rápidos resultados com equipas altamente motivadas. Já o coaching é excelente para desenvolver equipas para o futuro, quando há tempo para potenciar as individualidades.

Tendencialmente, cada líder tem um ou dois destes estilos como forma de atuação, mas o que distingue os melhores é serem capazes de usar todos os estilos.
Alguns líderes de sucesso, com um estilo autoritário, não conseguem permanecer numa organização mais de três anos; outros, com preferência pelo estilo democrático, têm dificuldade em impor decisões; e líderes focados no desenvolvimento individual, quando confrontados com metas imediatas, nem sempre obtêm o sucesso desejado.
Nos dias de hoje, um líder de sucesso é aquele que consegue combinar os melhores estilos de liderança nos momentos certos.